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Uma mensagem de Jesus aos que dormem de tristeza



"Depois, levantando-se da oração, aproximou-se dos seus discípulos e achou-os dormindo de tanta tristeza; e disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai para que não entreis em tentação." (Lucas 22.45, 46)

O momento de beber o cálice da ira de Deus estava se aproximando. A angústia era tão grande que gotas do precioso sangue de Jesus caíam no chão (Lucas 22.44). Enquanto o Mestre orava no Monte das Oliveiras, os discípulos o acompanhavam. O ambiente era de tristeza para todos.


Apenas o médico Lucas registra este detalhe: “aproximou-se dos seus discípulos e achou-os dormindo de tanta tristeza”. Os discípulos não entendiam de forma plena o que estava acontecendo, mas a angústia do seu Senhor era contagiante e nada podia ser feito para encorajar o Grande Amigo, nem os anjos haviam conseguido (Lucas 22.43).


Com o peito doendo, possivelmente com o coração palpitante, os discípulos entraram em estado depressivo. Sabe aquela vontade de fugir da realidade, de não ver ninguém, de tomar um remédio e dormir por três dias? Todo aquele que já enfrentou ou ainda enfrenta a depressão conhece bem essa sensação. Desistir da vida parece o melhor caminho, dormir é uma forma de neutralizar a dor. E como os problemas humanos não são exclusivos, os discípulos também experimentaram essa sensação.


Jesus apontou para o remédio: “Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai para que não entreis em tentação.” Aquilo que Jesus ensinou aos discípulos daquele tempo aplica-se a nós, discípulos do século XXI. Caso a sua dúvida seja o que fazer quando a depressão lhe empurrar para a cama, Jesus tem a resposta. Vejamos.


Encare o problema

Jesus interpela os discípulos com uma pergunta: “Por que estais dormindo?” A pergunta teve o propósito de levá-los à reflexão sobre o que estava acontecendo. Os discípulos tristes e cabisbaixos eram os mesmos que haviam desfrutado de grandes experiências com Deus. Eles presenciaram a cura do cego de Jericó (Lucas 18), dos dez leprosos (Lucas 17), de um homem hidrópico (Lucas 14), da mulher que estava encurvada havia 18 anos (Lucas 13), do endemoninhado mudo (Lucas 11), além de terem ouvido as diversas lições que somente o Filho de Deus poderia proferir.


Jesus estava lembrando os discípulos que a realidade está sob o domínio de Deus, que não há mal que não possa ser transformado em bem, que os sofrimentos do presente não podem se comparar com a glória que há de ser revelada (cf. Romanos 8.18). Fugir e se esconder parece uma boa saída, mas apenas um olhar direcionado ao alto pode trazer paz.


Jesus não desprezou a dor dos seus seguidores, mas os levou a refletir. É como se perguntasse: “por que fugir para o limbo se é aqui, em meio a dor, que o Senhor do universo está presente?” Jesus os lembrou de que não estavam sozinhos, que podiam encarar o problema porque o Deus dos milagres e da sabedoria estava com eles.


Erga-se

A depressão pode lhe prostrar, minar suas forças, coragem e vontade. Mas há saída, é possível vencer o desejo de desistir. Se para isso é preciso encarar o problema com uma visão direcionada para Deus, é necessário que as experiências do passado com o Senhor (suas ou de personagens bíblicos) sejam trazidas à memória.


Após lhes fazer uma pergunta, Jesus deu uma ordem aos seus discípulos desanimados: “Levantai-vos”. Por que Jesus deu esta ordem? É que com a prostração a dor se intensifica, a fraqueza se estabelece, o medo se acirra e a hesitação se agrava. A pior forma de lidar com a depressão incapacitante é não fazer nada. Como o músculo não usado vai atrofiando até se tornar inútil, assim acontece com o depressivo que se entrega à fuga da dor.


“Levantai-vos”, ordena Jesus. Talvez você se pergunte como obedecer se suas forças estão esgotadas. Lembre-se que o Deus-homem é aquele que ordena e o mesmo que promove a obediência. Deus ordenou, “haja luz” e houve luz. Jesus ordenou e os olhos do cego se abriram. Jesus ordenou e o cocho se levantou. Jesus lhe ordena que se levante enquanto o capacita a fazê-lo.


Sua fraqueza é abolida pela força de Jesus, seu medo é extinto pela presença de Jesus, suas dúvidas são anuladas pela verdade de Jesus, sua prostração é suprimida pelo poder de Jesus. Ouça a voz do Senhor, “levantai”, diz Ele.


Ore

Jesus estava perto de enfrentar a humilhação e as dores que lhes estavam reservadas. Aqueles momentos terríveis se aproximavam e a angústia era visível em Seu corpo. O que Ele fez? O Filho buscou a presença do Pai em oração. O que Ele pediu? “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; todavia, não seja feita a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22.42). Jesus pediu a anulação do sofrimento que estava por vir.


Algumas pessoas acreditam que orar a Deus envolve expressar-se com palavras pomposas e com o rosto reluzente de alegria. Jesus nos ensina que a oração, por vezes, está encharcada de angústia, de tristeza e de apelo por livramento. Levantar-se não é negar o sofrimento, pelo contrário, é derramá-lo diante dAquele que pode trazer auxílio. Jesus fez isso, derramou-se em espírito diante do Pai pouco antes de derramar-se completamente na cruz para nossa salvação.


Naquele momento, Jesus não desejava passar pelo martírio do Gólgota, mas, a despeito de Seus sentimentos Ele se entregou à vontade do Pai: “todavia, não seja feita a minha vontade, mas a tua.” Há momentos de dissabor que foram reservados a nós, todos nós. É evidente que não queremos passar por eles, mas devemos nos entregar à boa, perfeita e agradável vontade do Pai.


O profeta Isaías disse que Jesus veria o fruto do Seu penoso trabalho e ficaria satisfeito (cf. Isaías 53.11). Por isso ore. Ore para que Deus lhe mostre o propósito desse momento difícil em sua vida. Ore para que Deus lhe fortaleça. Para que o Homem de dores lhe console, conforte e proteja. Entregar-se à vontade de Deus é melhor do que entregar-se à insistente dor em seu peito. A tristeza, a prostração, o desejo de fugir, podem se tornar uma grande tentação: “orai para que não entreis em tentação.” Encare a dor, erga-se e ore. O tentador fugirá e levará com ele a tentação.


Quando Jesus foi preso, todos os discípulos fugiram, com exceção de João. Ele acompanhou o julgamento do Senhor, Sua condenação e senda até o Calvário. Quando Jesus agonizava na cruz, viu João ao lado de Maria. Poderíamos nos perguntar o que levou este apóstolo a demonstrar tamanha ousadia. A Bíblia não responde, mas ele pode ter seguido as orientações do Senhor, enfrentando o problema e erguendo-se daquela posição em que se encontrava no Monte das Oliveiras. Por certo, João buscou a Deus em oração, lembrou-se das maravilhas realizadas por Cristo e foi fortalecido por Ele.


Que Deus abençoe a sua vida e que a presença de Jesus seja o seu lugar de refúgio e não sua cama.



Flávio Costa


Flávio Costa é pastor Batista e conselheiro. Atualmente se especializa em Aconselhamento Bíblico pelo IBCD (The Institute for Biblical Counseling & Discipleship).

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